



Por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA
"Este é o primeiro prêmio que ganho na minha vida". Foi assim que a jornalista Sandra Annenberg, apresentadora do "Jornal Hoje", da Rede Globo, iniciou seu discurso como vencedora na categoria "Âncora de Telejornal", da 4ª edição do "Troféu Mulher Imprensa", no dia 17 de março deste ano.
Momentos antes da cerimônia de premiação, Sandra falou com exclusividade ao Portal IMPRENSA e declarou que, por ser mulher, muitas vezes já sofreu preconceito ao longo de sua carreira.
Portal IMPRENSA - Na sua opinião, as novas tecnologias e a TV Digital trazem alguma modificação para o jornalismo televisivo?
Sandra - Imediatamente não, porque a gente continua fazendo o mesmo jornalismo de sempre. Muda na qualidade da imagem, mas no jornalismo propriamente dito demora um pouco mais, até porque o nosso arquivo não está em HDTV, nosso arquivo é mais antigo. O que vai se modificar de fato são as novas produções. O jornalismo vai ser o último a passar por essa transformação.
IMPRENSA - Em algum momento da sua carreira você sentiu alguma dificuldade por ser mulher?
Sandra - Várias vezes. Desde sempre, a mulher teve que provar muito mais a capacidade, muito mais a credibilidade. Quando você lida com imagens, a primeira coisa que as pessoas percebem é se você tem uma boa "faixa", se você tem uma voz. Os outros atributos: inteligência, credibilidade, rapidez, eficiência, capacidade vão ficando em segundo ou terceiro plano. Eu acho que isso mudou, mudou muito, mas é recente. Eu diria que foi nos últimos dez anos. Eu trabalho há 30 anos na televisão, começei muito cedo, quando eu era criança, mas trabalhei em várias emissoras em que sempre tive que falar: 'Ei, eu quero mostrar que eu sei fazer bem feito e que eu gosto do que faço', isso quando eu tinha uns 20 anos. Eu sempre batalhei. É claro que, com o tempo, você vai mostrando a que veio, mostrando que é capaz, você trabalha e a coisa vai rolando mais redonda e mais tranqüila, mas demorou bastante.
IMPRENSA - O âncora constrói uma relação diferenciada com o público, se comparada à relação construída pelos repórteres, por exemplo?
Sandra - Claro, sem dúvida. As pessoas olham pra mim e pra todas as outras pessoas que aparecem na televisão ainda com o "mito da celebridade", confundem o jornalista. O tempo todo eu falo: 'Olha, eu não sou uma celebridade, eu sou uma jornalista, não sou artista. Autógrafo não é exatamente o caso'. Sempre tento conversar com as pessoas dessa maneira, para tentar individualmente explicar que não é isso que conta. De maneira alguma eu vou ser indelicada e, se quiser, a gente acaba dando um autógrafo. Os artistas e celebridades cultuam a imagem, elas gostam de aparecer e sabem que faz parte do trabalho delas. Claro que faz parte do meu trabalho ser reconhecida, afinal de contas eu estou na televisão, mas não é esse o objetivo, é muito pelo contrário: o objetivo é passar a informação e fazer um trabalho bem feito. Não precisa ir além disso. A minha vida pessoal não está aberta e, como jornalista, o que vem em primeiro lugar é a notícia, o resto é resto.
O Jornalista Maurício Noriega, nos deu esta semana uma entrevista exclusiva, nela ele fala um pouco da sua trajetória e deixa conselhos aqueles que querem se tornar jornalistas.
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Equipe Annenberg:Mauricio,gostariamos de saber se ser jornalista sempre esteve nos seus planos,
e como foi a sua jornada para chegar onde esta hoje. R - O Jornalismo não esteve sempre nos meus planos, apesar de eu ser filho de um grande jornalista, chamado Luiz Noriega, que é um dos principais locutores esportivos do Brasil, com brilhantes passagens pelas TVs Tupi e Cultura, entre outras emissoras. Eu pensei em projetar foguetes quando era criança e também cogitei cursar Educação Física. Outro de meus devaneios foi ser atleta profissional. Eu joguei vôlei durante muito tempo, cheguei a atuar em bons clubes, a ter salário etc. Só optei pelo Jornalismo meses antes do vestibular.
R - Diria que é, no mínimo, estranho (risos). É gratificante, pelos desafios que o País apresenta aos jornalistas. É preocupante pela violência que atinge os jornalistas, pelo mercado de trabalho restrito e pelo desgaste psicológico. Mas entendo que seja mais gratificante poder fazer Jornalismo no Brasil, que tanto precisa de bom Jornalismo. R - Qualquer tragédia humana, seja ela natural ou provocada pela irracionalidade humana, me comove. Infelizmente, as notícias andam comovendo muito atualmente. R - Acho que não deve existir essa definição para um jornalista, mas claro que há alguns assuntos menos agradáveis. Já fiz coberturas de temas policiais, de sequestro e esses não me agradam muito. Atualmente, na área esportiva, acabo fazendo mais o que gosto. R - Acho que este é um dos maiores desafios. Viagens, horários malucos, alguns períodos longe de casa. Felizmente, conto com a compreensão da minha esposa, que não é jornalista, e dos meus filhos, que me apóiam todo o tempo e me dão muita força para suportar os períodos que passo longe deles. R - Capacitação, atualização e isenção. Acho que esse trinômio é fundamental para ser um bom jornalista. O dever do bom jornalista é fazer bom Jornalismo. R - Atualmente as redações são menos barulhentas e bagunçadas do que na época em que comecei, quando tudo era mais romântico, boêmio. Mas na redação da TV Globo em São Paulo ainda existe muita camaradagem, brincadeira, tudo em seu tempo. Mas as redações reproduzem qualquer ambiente de trabalho, sempre há mais afinidade entre certas pessoas. No entanto, o profissionalismo fala mais alto. R - Não tive a oportunidade de trabalhar diretamente com a Sandra Annenberg, o que para mim seria uma grande honra. Mas lembro de um dia, já há algum tempo, em que ela foi a um treino de um time de futebol, quando já era uma repórter bastante conhecida da TV Globo, e demonstrou grande humildade. Talvez ela nem se lembre disso, mas, como eu era repórter de jornal e cobria o time em questão, ela me pediu algumas informações, sempre me tratando com educação, respeito e simplicidade, o que só fez aumentar minha admiração e meu respeito pelo trabalho dela.
R - Ah, tem muita gente, muitos que eu admiro e certamente faltaria espaço para citar todos os nomes. Gosto muito de todos os apresentadores de telejornal da Globo, procuro aprender com todos, cada um com seu estilo e sua personalidade. Já tive a oportunidade de participar do SP TV com o Chico Pinheiro e a Carla Vilhena e faço frequentemente o Bom Dia São Paulo com a Mariana Godoy e a Monalisa Perrone. Felizmente já trabalhei com toda a equipe do SporTV, também um time muito competente, e destacaria o trabalho da Vanessa Riche como apresentadora. R - Muito estudo, muita dedicação, leitura e procurar aprender pelo menos dois idiomas estrangeiros. E o mais importante, ser viciado em notícia, 24 horas por dia. Jornalista é sempre repórter, e repórter dorme sempre com um olho e um ouvido abertos, | |
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